Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
Autor: Cecília Meireles
quinta-feira, 29 de abril de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
Mulher e guerreira
Todo dia tudo sempre tão igual.
Acordar às 5:30 da manhã.
Tomar banho e me arrumar.
Chamar a Carol.
Preparar o café da manhã.
Comprar o pão quentinho na padaria da esquina.
Chamar a Juliana.
Preparar a bolsa da Isabela.
Preparar o chá para o Lucas.
Apressar as meninas de 5 em 5 minutos.
Tomar o café apressadamente.
Uma beijoca no marido, que reclama do barulho que fazemos antes de sair.
Sair quase que atrasada.
Deixar a Isabela na Dona Maria.
Deixar a Jú na escola.
A Carol estuda na mesma escola que trabalho.
Dar 6 aulas, começando às 7 e saindo às 12.
Esperar meia hora pelo horário da pegar a Jú.
Comer a comidinha praparada pelo marido.
Voltar pro trabalho às 2 da tarde, carregando a Jú que vai pra capoeira e natação.
Voltar pra casa pegando a Isabela ás 5 horas.
Preparar lanche pra criançada.
Lavar a louça, roupa.
Quase não ver o Lucas, filhote mais velho, porque quando eu saio ele está dormindo e quando ele chega eu estou dormindo.
Ler um livro que quase não consigo terminar pela falta de tempo.
Assistir televisão com maridão.
Tomar um banho e dormir.
Descansar porque amanhã tem que fazer tudo de novo.
No meio desta rotina, ser mãe, esposa, profissional, enfermeira pra curar o dodói da Isabela, ser psicóloga pra entender esta fase complicada da adolesceência do Lucas e da Carol. Mediar as brigas da Juliana e Isabela.
Enfim ser mulher, ser guerreira, compalheira.
Desempenhar múltiplos papéis.
Como tantas Silvias, Romas, Janes, Zetes, Solanges, Sandras, Cleides, Denises, Veras e tantas outras que não haveria espaço para nomear.
Todas mães, irmãs, tias, cunhadas, amigas.
Todas mulheres.
Parabéns pra nós porque merecemos!
Acordar às 5:30 da manhã.
Tomar banho e me arrumar.
Chamar a Carol.
Preparar o café da manhã.
Comprar o pão quentinho na padaria da esquina.
Chamar a Juliana.
Preparar a bolsa da Isabela.
Preparar o chá para o Lucas.
Apressar as meninas de 5 em 5 minutos.
Tomar o café apressadamente.
Uma beijoca no marido, que reclama do barulho que fazemos antes de sair.
Sair quase que atrasada.
Deixar a Isabela na Dona Maria.
Deixar a Jú na escola.
A Carol estuda na mesma escola que trabalho.
Dar 6 aulas, começando às 7 e saindo às 12.
Esperar meia hora pelo horário da pegar a Jú.
Comer a comidinha praparada pelo marido.
Voltar pro trabalho às 2 da tarde, carregando a Jú que vai pra capoeira e natação.
Voltar pra casa pegando a Isabela ás 5 horas.
Preparar lanche pra criançada.
Lavar a louça, roupa.
Quase não ver o Lucas, filhote mais velho, porque quando eu saio ele está dormindo e quando ele chega eu estou dormindo.
Ler um livro que quase não consigo terminar pela falta de tempo.
Assistir televisão com maridão.
Tomar um banho e dormir.
Descansar porque amanhã tem que fazer tudo de novo.
No meio desta rotina, ser mãe, esposa, profissional, enfermeira pra curar o dodói da Isabela, ser psicóloga pra entender esta fase complicada da adolesceência do Lucas e da Carol. Mediar as brigas da Juliana e Isabela.
Enfim ser mulher, ser guerreira, compalheira.
Desempenhar múltiplos papéis.
Como tantas Silvias, Romas, Janes, Zetes, Solanges, Sandras, Cleides, Denises, Veras e tantas outras que não haveria espaço para nomear.
Todas mães, irmãs, tias, cunhadas, amigas.
Todas mulheres.
Parabéns pra nós porque merecemos!
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Dia de Sempre
Para o ano letivo que se inicia uma poesia de Mario Quintana.
Esperança renovada a cada dia.
Canção do Dia de Sempre
(Mário Quintana)
Tão bom viver dia a dia…
A vida assim, jamais cansa…
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência… esperança…
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas…
Esperança renovada a cada dia.
Canção do Dia de Sempre
(Mário Quintana)
Tão bom viver dia a dia…
A vida assim, jamais cansa…
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência… esperança…
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas…
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Tirando ó pó
Sabe como é:
Férias... Isabela exigindo atenção constante,Jú naquela fase de não querer mais brincar com a irmã, Carol namorando e sem querer ajudar em nada.
Enquanto descanso carrego pedra...
E este canto ficou entregue às moscas, juntou teia, poeira.
Mas enfim voltei, vou fazer uma limpeza rápida e nos encontramos para uma prosa,um café, uma música ou poesia porque ninguém é de ferro.
Férias... Isabela exigindo atenção constante,Jú naquela fase de não querer mais brincar com a irmã, Carol namorando e sem querer ajudar em nada.
Enquanto descanso carrego pedra...
E este canto ficou entregue às moscas, juntou teia, poeira.
Mas enfim voltei, vou fazer uma limpeza rápida e nos encontramos para uma prosa,um café, uma música ou poesia porque ninguém é de ferro.
Assinar:
Postagens (Atom)


