Eu sou aquela mulher
a quem o tempo muito ensinou.
Ensinou a amar a vida
e não desistir da luta,
recomeçar na derrota,
renunciar a palavras
e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos
e ser otimista.
Creio na força imanente
que vai gerando a família humana,
numa corrente luminosa
de fraternidade universal.
Creio na solidariedade humana,
na superação dos erros
e angústias do presente.
Aprendi que mais vale lutar
do que recolher tudo fácil.
Antes acreditar do que duvidar."
Cora Coralina
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
quarta-feira, 19 de maio de 2010
COISAS DA BEBELA
Quando a Isabela estava com 2 anos e dez meses escrevi algumas coisinhas que ela dizia.
Só se passaram 7 meses e já estou morrendo de saudade:
I
_Mamãe, você tá brava?
_ Não.
_ Tá sim, você tá assim (franzindo a testa).
E você tá olhando pro chão.
II
_Mamãe, você me empresta seu óculos?
Na curiosidade, empresto só pra observar.
Ela pega uma parte do jornal que estou lendo, senta-se no chão com o jornal entre as pernas e começa a “ler”.
Dá uma paradinha, tira o óculos, limpa a lente na barra da camiseta que está usando e retorna à leitura.
III
Moramos relativamente perto do aeroporto e da janela do quarto é possível observar os aviões na rota de pouso.
O pai costuma faz uma brincadeira com ela: quando passa um avião pequeno é dela e quando é grande, dele.
Um dia ela me inclui na brincadeira.
Ao avistar um avião diz que é meu, logo depois deve ter se arrependido e diz que é dela. Quuando retruco dizendo que ela havia me dado, argumenta que tinha só me emprestado.
IV
Ontem Bebela viu um helicóptero e gritou toda entusiasmada:
_ Olha mamãe, um copicópto.
_ Depois de rir da sua pronúncia tento repetir a palavra corretamente para ela.
Bebela me dá uma risadinha, como se perguntasse:
_ E você acha que eu vou conseguir falar isso?
V
Dos erres da Bebela:
Rorelha ( orelha)
Reral ( real)
Rerlaro ( Arrelaro)
Ramário ( armário)
VI
De repente Bebela me olha e dispara:
_Você não é mamãe, você é Silvia!
VII
Ao ver uma lata de cerveja Caracu Bebela dispara:
_ Mamãe o boi tá bravo!!
_ Por que Belinha?
Ele tá assim (imitando uma testa franzida).
Só se passaram 7 meses e já estou morrendo de saudade:
I
_Mamãe, você tá brava?
_ Não.
_ Tá sim, você tá assim (franzindo a testa).
E você tá olhando pro chão.
II
_Mamãe, você me empresta seu óculos?
Na curiosidade, empresto só pra observar.
Ela pega uma parte do jornal que estou lendo, senta-se no chão com o jornal entre as pernas e começa a “ler”.
Dá uma paradinha, tira o óculos, limpa a lente na barra da camiseta que está usando e retorna à leitura.
III
Moramos relativamente perto do aeroporto e da janela do quarto é possível observar os aviões na rota de pouso.
O pai costuma faz uma brincadeira com ela: quando passa um avião pequeno é dela e quando é grande, dele.
Um dia ela me inclui na brincadeira.
Ao avistar um avião diz que é meu, logo depois deve ter se arrependido e diz que é dela. Quuando retruco dizendo que ela havia me dado, argumenta que tinha só me emprestado.
IV
Ontem Bebela viu um helicóptero e gritou toda entusiasmada:
_ Olha mamãe, um copicópto.
_ Depois de rir da sua pronúncia tento repetir a palavra corretamente para ela.
Bebela me dá uma risadinha, como se perguntasse:
_ E você acha que eu vou conseguir falar isso?
V
Dos erres da Bebela:
Rorelha ( orelha)
Reral ( real)
Rerlaro ( Arrelaro)
Ramário ( armário)
VI
De repente Bebela me olha e dispara:
_Você não é mamãe, você é Silvia!
VII
Ao ver uma lata de cerveja Caracu Bebela dispara:
_ Mamãe o boi tá bravo!!
_ Por que Belinha?
Ele tá assim (imitando uma testa franzida).
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Mas eu
Mas Eu
Mas eu, em cuja alma se refletem
As forças todas do universo,
Em cuja reflexão emotiva e sacudida
Minuto a minuto, emoção a emoção,
Coisas antagônicas e absurdas se sucedem —
Eu o foco inútil de todas as realidades,
Eu o fantasma nascido de todas as sensações,
Eu o abstrato, eu o projetado no écran,
Eu a mulher legítima e triste do Conjunto
Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de água.
Álvaro de Campos
Mas eu, em cuja alma se refletem
As forças todas do universo,
Em cuja reflexão emotiva e sacudida
Minuto a minuto, emoção a emoção,
Coisas antagônicas e absurdas se sucedem —
Eu o foco inútil de todas as realidades,
Eu o fantasma nascido de todas as sensações,
Eu o abstrato, eu o projetado no écran,
Eu a mulher legítima e triste do Conjunto
Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de água.
Álvaro de Campos
quinta-feira, 29 de abril de 2010
A arte de ser feliz
Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
Autor: Cecília Meireles
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
Autor: Cecília Meireles
segunda-feira, 8 de março de 2010
Mulher e guerreira
Todo dia tudo sempre tão igual.
Acordar às 5:30 da manhã.
Tomar banho e me arrumar.
Chamar a Carol.
Preparar o café da manhã.
Comprar o pão quentinho na padaria da esquina.
Chamar a Juliana.
Preparar a bolsa da Isabela.
Preparar o chá para o Lucas.
Apressar as meninas de 5 em 5 minutos.
Tomar o café apressadamente.
Uma beijoca no marido, que reclama do barulho que fazemos antes de sair.
Sair quase que atrasada.
Deixar a Isabela na Dona Maria.
Deixar a Jú na escola.
A Carol estuda na mesma escola que trabalho.
Dar 6 aulas, começando às 7 e saindo às 12.
Esperar meia hora pelo horário da pegar a Jú.
Comer a comidinha praparada pelo marido.
Voltar pro trabalho às 2 da tarde, carregando a Jú que vai pra capoeira e natação.
Voltar pra casa pegando a Isabela ás 5 horas.
Preparar lanche pra criançada.
Lavar a louça, roupa.
Quase não ver o Lucas, filhote mais velho, porque quando eu saio ele está dormindo e quando ele chega eu estou dormindo.
Ler um livro que quase não consigo terminar pela falta de tempo.
Assistir televisão com maridão.
Tomar um banho e dormir.
Descansar porque amanhã tem que fazer tudo de novo.
No meio desta rotina, ser mãe, esposa, profissional, enfermeira pra curar o dodói da Isabela, ser psicóloga pra entender esta fase complicada da adolesceência do Lucas e da Carol. Mediar as brigas da Juliana e Isabela.
Enfim ser mulher, ser guerreira, compalheira.
Desempenhar múltiplos papéis.
Como tantas Silvias, Romas, Janes, Zetes, Solanges, Sandras, Cleides, Denises, Veras e tantas outras que não haveria espaço para nomear.
Todas mães, irmãs, tias, cunhadas, amigas.
Todas mulheres.
Parabéns pra nós porque merecemos!
Acordar às 5:30 da manhã.
Tomar banho e me arrumar.
Chamar a Carol.
Preparar o café da manhã.
Comprar o pão quentinho na padaria da esquina.
Chamar a Juliana.
Preparar a bolsa da Isabela.
Preparar o chá para o Lucas.
Apressar as meninas de 5 em 5 minutos.
Tomar o café apressadamente.
Uma beijoca no marido, que reclama do barulho que fazemos antes de sair.
Sair quase que atrasada.
Deixar a Isabela na Dona Maria.
Deixar a Jú na escola.
A Carol estuda na mesma escola que trabalho.
Dar 6 aulas, começando às 7 e saindo às 12.
Esperar meia hora pelo horário da pegar a Jú.
Comer a comidinha praparada pelo marido.
Voltar pro trabalho às 2 da tarde, carregando a Jú que vai pra capoeira e natação.
Voltar pra casa pegando a Isabela ás 5 horas.
Preparar lanche pra criançada.
Lavar a louça, roupa.
Quase não ver o Lucas, filhote mais velho, porque quando eu saio ele está dormindo e quando ele chega eu estou dormindo.
Ler um livro que quase não consigo terminar pela falta de tempo.
Assistir televisão com maridão.
Tomar um banho e dormir.
Descansar porque amanhã tem que fazer tudo de novo.
No meio desta rotina, ser mãe, esposa, profissional, enfermeira pra curar o dodói da Isabela, ser psicóloga pra entender esta fase complicada da adolesceência do Lucas e da Carol. Mediar as brigas da Juliana e Isabela.
Enfim ser mulher, ser guerreira, compalheira.
Desempenhar múltiplos papéis.
Como tantas Silvias, Romas, Janes, Zetes, Solanges, Sandras, Cleides, Denises, Veras e tantas outras que não haveria espaço para nomear.
Todas mães, irmãs, tias, cunhadas, amigas.
Todas mulheres.
Parabéns pra nós porque merecemos!
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
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