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sábado, 27 de junho de 2009

FERNANDO PESSOA

Um de meus poetas preferidos é Fernando Pessoa.
Não é a toa a escolha do nome deste blog, nem a primeira postagem ser uma poesia dele.
Uns pensamentos só de leve:



§


"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens."

§


"Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero."

Álvaro de Campos
*



* Para quem não sabe: Alvaro de Campos era um dos nomes que Pessoa usava paras publicar suas poesias.





segunda-feira, 30 de março de 2009

Navegantes

Navegar é preciso, viver não é preciso...
Quando li esta frase de Fernando Pessoa pela primeira vez pensei:

Como assim, viver não é preciso, não é necessário????
Mas viver não é preciso porque é impreciso, é incerto não requer bússola nem coordenadas como é necessário para navegar.

Então de acordo com Fernando Pessoa:

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".

Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.



Nota
"Navigare necesse; vivere non est necesse" - latim, frase de Pompeu, general romano, 106-48 aC., dita aos marinheiros, amedrontados, que recusavam viajar durante a guerra, cf. Plutarco, in Vida de Pompeu]





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