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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Allan Vidigal: Ton-sur-ton

As cores me atraem!
Quando quero desejar uma boa dia a alguém desejo um dia colorido.
Hoje estava me sentido descolorida até encontrar casualmente este poema de Allan Vidigal: Ton-sur-ton e descobri poesia em tons de cinza.

Leitura empacada

Enfim terminei de ler "Médico de Homens e de Almas".
Apesar do livro ser bom a leitura estava tão empacada, que devo ter demorado uns 2 meses pra terminar. Credite-se a isto quase 700 páginas, falta de tempo crônica com o acúmulo de atividades no último bimestre letivo e uma leitura arrastada pela detalhes insuportáveis em algumas páginas.
Pra aliviar dividi minhas horas de leitura com outros livros, coisa que geralmente não gosto de fazer.
Quando me cansava daquela leitura arrastada, me divertia lendo crônicas e poemas como:

TEMPO DE DESCABELAR & OUTRAS CRÔNICAS CABELUDAS de Rita Espeschit
POESIA COMPLETA de Ferreira Gullar
POEMAS DOS BECOS DE GOIÁS de Cora Coralina.

Pensando bem não foi tão empacada assim, já que no final, além da história de Lucas o Evangelista, li preciosidades como estas:

Cantiga para não morrer

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.
Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.
E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.

Ferreira Gullar



RESSALVA

Este livro foi escrito
por uma mulher
que no tarde da Vida
recria e poetiza sua própria
Vida.

Este livro
foi escrito por uma mulher
que fez a escalada da
Montanha da Vida
removendo pedras
e plantando flores.

Este livro:
Versos… Não
Poesia… Não
um modo diferente de contar velhas estórias.

CORA CORALINA

segunda-feira, 13 de julho de 2009

CORA CORALINA

Mulher sábia, forte, lutadora:

A procura

Andei pelos caminhos da Vida.
Caminhei pelas ruas do Destino -
procurando meu signo.
Bati na porta da Fortuna,
mandou dizer que não estava.
Bati na porta da Fama,
falou que não podia atender.
Procurei a casa da Felicidade,
a vizinha da frente me informou
que ela tinha se mudado
sem deixar novo endereço.
Procurei a morada da Fortaleza.
Ela me fez entrar: deu-me veste nova,
perfumou-me os cabelos,
fez-me beber de seu vinho.
Acertei o meu caminho.

Cora Coralina
(1889-1985)